“É um milagre o que eles fizeram” – diz Dylan sobre sua cirurgia de reconstrução facial


Durante a turnê de divulgação de O Assassino: O Primeiro Alvo, Dylan O’Brien tem dado entrevistas contando sobre o período mais difícil de sua vida: sua recuperação após o acidente no set de A Cura Mortal em março de 2016. Em entrevista para o Los Angeles Times, Dylan fala sobre o milagre que foi sua cirurgia de reconstrução facial, e como o novo filme foi o motivo que o fez sair do exílio. Confira:

Durante o ano passado, Dylan O’Brien esteve se escondendo. Ele passou a maior parte do seu tempo na sua casa Sherman Oaks, perguntando-se se ele iria ser a mesma pessoa que era antes do acidente. Não apenas emocionalmente, mas fisicamente também: Após grande cirurgia de reconstrução facial que o deixou com quatro peças de metal segurando um lado do seu rosto, ele tinha medo de nunca mais parecer como antes.

“É um milagre o que eles fizeram, ” diz O’Brien, colocando a mão na sua bochecha. Realmente, o time de médicos do ator devem ter feito um incrível trabalho, considerando o fato que ele parece quase exatamente como sempre pareceu – o galã adolescente que conquistou um exército de jovens fãs desde quando começou a trabalhar em Teen Wolf, na MTV, aos 18 anos.

Claro, ele tem 26 anos agora, então está um pouco mais forte e também tem um pouco de barba irregular no seu rosto. Ele teve confiança o suficiente que os produtores de American Assassin, que estreia mundialmente nesta sexta, se sentiram confiantes em escolher ele para o papel do herói de ação Mitch Rapp – mesmo que os leitores acreditavam que o personagem estava na casa dos 40 anos,nos best-sellers de Vince Flynn.

“O Assassino” é o motivo por que Dylan saiu do seu exílio. Ele assinou contrato com o filme apenas algumas semanas antes de começar a filmar Maze Runner: A Cura Mortal, o terceiro e último filme na franquia pós apocalíptica da 20th Century Fox. Ele estava desejando que American Assassin marcaria o início de uma nova fase na sua carreira. Em 2017, depois de seis temporadas, Teen Wolf chegaria ao fim, assim como Maze Runner.

“Eu nunca me imaginei como esse tipo de galã,” diz Dylan, colocando palavras mais coloridas em sua fala. “Eu sentia que eu era mais real que isso, então, eu ficava chateado quando as pessoas falavam [que ele era um galã adolescente]. Eu ficava tipo, ‘Tenho 19 anos! Im a stoner’ Eu realmente ressentia isso. ”

Ele estava tão animado para começar a trabalhar em O Assasino que lotou o diretor Michael Cuesta de ligações quando a produção começou em Vancouver, Canada, no último filme de Maze Runner. Juntos, eles discutiram como Dylan iria interpretar o personagem, um cara de 23 anos que foi recrutado pela CIA para caçar terroristas depois que ele presenciou a morte da sua namorada pelas mãos de mulçumanos radicais.

“Eu conversei com ele no sábado quando ele tinha começado a filmar Maze Runner, mostrando suas anotações e suas preocupações sobre o personagem,” Cuesta lembra. “Ele estava muito animado e parecia tipo ‘Yeah, estou pronto para fazer isso.’ Eu fiquei tipo, ‘Calma, cara. Vá com calma. Nós iremos conversar quando você terminar esse projeto.’ Aquilo aconteceu no sábado, na quarta recebi uma mensagem do meu agente me contando a coisa horrível que tinha acontecido com ele.”

No terceiro dia de produção no Canadá, Dylan estava atuando em uma cena de ação que era necessário ser amarrado no topo de um veículo em movimento, relatos dizem que no meio da cena ele acidentalmente foi empurrado do veículo e batido em outro. Como resultado, ele sofreu uma concussão, fraturas faciais e outros ferimentos, de acordo com o WorkSafeBC.

A Fox parou a produção até março de 2016, e Dylan voltou para o set no final do ano passado – depois de ter filmado O Assassino. O filme A Cura Mortal que originalmente estava marcado para estrear em fevereiro desse ano, agora está marcado para 26 de janeiro de 2018.

“Eu não realmente acordei ou já estava ciente, de certa forma, por seis ou oito semanas depois do que aconteceu. Eu apenas não era a mesma pessoa. As coisas acontecem com você depois de algo com isso que você não tem o mínimo controle sobre. Seu corpo foi feito para reagir de uma forma que te protege se você tiver um trauma severo no cérebro.”

O ator está sentado em um bar de hotel no final de agosto, falando sobre seu acidente publicamente pela primeira vez. Ele esteve antecipando esse dia por meses. Ele sabia como iria acontecer, encontrando jornalistas no Four Seasons em Beverly Hills, onde ele já havia dado entrevistas várias vezes. Mesmo o foco sendo American Assassin, ele sabia que teria que falar sobre o que aconteceu com ele.

Obviamente eu me escondi por um tempo longo. Eu estava passando por muita coisa e não queria que as pessoas me vissem passando por isso, eu acho,” ele explica. “Mas, eu cheguei em um estado onde estou bem para falar sobre isso. Eu tive que me acostumar com pessoas me perguntando o que aconteceu.”

De uma maneira, ele admite ter se arrependido de ter sido tão privado sobre o assunto, devido a quantidade de acidentes e mortes em sets recentemente. Mês, a dublê Joi Harris morreu enquanto estava pilotando uma moto no set de “Dead Pool 2.” Em julho, um dublê de The Walking Dead morreu quando caiu e sofreu lesões na cabeça. Atores se machucaram também: Tom Cruise quebrou seu tornozelo enquanto saltava de um prédio para outro no set de Missão Impossível 6, e a filmagem teve que ser parada em agosto. Nas filmagens de duas comédias diferentes nesse verão, Rebel wilson sofreu uma concussão e Ike Barinholtz caiu de uma alta plataforma, quebrando duas vértebras cervicais no seu pescoço.

“É muito desapontante, e eu acho que coisas como essas devem alertar a indústria,” diz O’Brien. “É muito fácil, algumas vezes, ficar confortável em um set e cair no pensamento que nada de ruim irá acontecer. Como ator, você confia nesses experts cegamente – se eles te falam que algo é seguro, você não examina isso completamente. Se você é jovem e inexperiente, é o que você é ensinado a fazer.”

Enquanto ele nunca sentiu que tinha uma arma apontada na sua cabeça, Dylan admitiu que se sente responsável por atuar em suas cenas de ação. Ele fica chateado quando algum dublê precisa substituir ele. Quando ele assiste um dos dois primeiros filmes da trilogia Maze Runner e percebe seu dublê na cena, ele fica irritado.

“Te incomoda,” ele explica. “Você vê e fica tipo, ‘Mas que -? Como as pessoas não percebem que não sou eu?

Mas ele sabia que teria que superar isso com American Assassin, ele teria que fazer suas cenas de ação com muito mais cuidado do que fazia antes. Quando ele decidiu continuar no projeto – e a empresa de produção do filme, CBS Films, concordou em esperar ele se recuperar totalmente- ele começou a treinar com o coordenador de ação Roger Yuan para se preparar para as cenas de combate do filme.

Sem surpresas, diz O’Brien, que havia paramédicos no set de filmagens pela empresa de seguro do filme que determinou o quanto ele poderia fazer logo depois do seu acidente. Mas, ele ainda estava animado para fazer suas próprias cenas de luta, então as ensaiou repetitivamente até o ponto de fazer a coreografia de olhos fechados. .

“Você só quer saber isso em uma medida que todos saibam o que estão fazendo naquele dia,” ele diz. “E então esse dia chega e alguém fala ‘Espere, podemos mudar isso?’ Você fala ‘Não.’ Coisas como essas, você tem que defender. Agora eu entendo mais que minha voz pode existir. Quando era mais novo eu queria agradar todo mundo e não ser um problema ou ser considerado uma diva. Eu cresci e percebi que você tem que se proteger e não há nada de errado nisso.”

Outras medidas foram tomadas na produção para que Dylan se sentisse mais seguro também: seu pai, foi contratado como operador de câmera para ficar por perto se seu filho precisasse dele. E “em dias que colocamos Dylan em alguma situação que poderia deixá-lo desconfortável, levamos mais tempo do que costumamos porque não queriamos apressar as coisas,” diz produtor Lorenzo di Bonaventura. “Nós tínhamos consciência de não colocar ele em situações que ele poderia ter uma reação adversa – uma cena de ação que poderia reativar alguma coisa.”

O’Brien também passou tempo se preparando mentalmente para seu retorno ao set, antes mesmo da produção começar, visitando um terapista duas vezes por semana. Foi assim que ele percebeu as similaridades que tem com Mitch Rapp, um personagem que tem problemas em controlar sua raiva por causa de um sério trauma.

“Eu me senti essa versão de mim naquela época que sempre tentava se esconder das pessoas,” ele diz. “Eu estava em um lugar muito escuro. Obviamente, eu não tive a mesma experiência que ele teve mas naquele verão quando eu estava me recuperando, eu estava passando por muitas coisas. Engraçado o suficiente, eu me senti tão conectado com o personagem e eu não sei como o interpretaria se isso não tivesse acontecido.”

No meio tempo, ainda tem que esperar para confirmar se American Assassin será o papel que levará O’Brien para o território de ator principal em papéis mais sérios. Seus fãs ainda estão vorazes: nas gravações em Roma, eles ficaram tão intensos que o ator teve que mudar para um hotel diferente.

“Eu vi alguns fãs do lado de fora depois e três mães que estavam lá me mostraram o dedo do meio,” diz Cuesta dando risada. “Elas me odeiam porque eu deixei o Dylan longe delas.”

Os produtores de O Assassino estão esperando que o filme tenha uma boa bilheteria neste final de semana para que seja possível virar uma nova franquia de ação. O’Brien sabia que isso era uma possibilidade e diz que ficaria feliz em interpretar Mitch Rapp outra vez. Ele também está querendo fazer algo menor – “achar os novos cineastas dessa geração e se arriscar com caras que não tem um currículo de 25 anos.” A ideia de atuar em um filme de super herói da Marvel, o faz estremecer.

“Parece um pouco demais,” ele fala. “Eu não acho que eu conseguiria aguentar ser aquela cara, a estrela que tem que ir em todos talk shows todos os anos. Te dá muita flexibilidade e liberdade em coisas que você quer fazer mas também ocupa muito o seu tempo. E apenas artisticamente, deve ser difícil continuar se caracterizar e ser o mesmo personagem várias e várias vezes o ano inteiro em vários filmes diferentes. Eu prefiro ter uma carreira e perfil menor, de certa maneira, mas ainda fazer coisas que significam algo para mim.

Ele está orgulhoso do seu trabalho em O Assassino, ele conta, mas quase não vê o projeto como um filme.

“Foi tudo mas, de uma certa maneira,” ele explica. “Olha, eu estava com raiva por um tempo muito longo. Mas, nessa situação não vai adiantar nada mesmo. Eu preciso processar o que aconteceu e superar, e eu consegui. Foi a pior coisa que aconteceu comigo mas me deu muito crescimento e conhecimento que eu não teria se não tivesse acontecido.”

Tradução: Equipe Dylan O’Brien Brasil

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Orgulho de Dylan O’Brien é o que não nos falta! Não percam O Assassino: O Primeiro Alvo que estreia dia 21 de setembro nos cinemas brasileiros, pela distribuidora e nossa parceira, Paris Filmes.

Publicado por Lara Bezerra em 14.09