Messi e AFA são processados em milhões por quebra de contrato em Miami

A polêmica agora saiu dos gramados e foi parar nos tribunais de Miami. O astro do futebol Lionel Messi, campeão do mundo em 2022, foi acusado de ser "cúmplice" da Associação Argentina de Futebol (AFA) em um processo milionário por descumprimento de obrigações contratuais. A ação, movida pelo VID Music Group, busca a recuperação de danos após o craque ter faltado a um amistoso internacional crucial para os investidores.

A situação escalou durante uma coletiva de imprensa onde o advogado Ralph Patino, representante legal do grupo promotor, não poupou palavras ao classificar a ação como um "ato de responsabilidade e prestação de contas". O centro da disputa são quatro jogos amistosos internacionais que deveriam ter ocorrido entre outubro de 2025 e junho de 2026. Aqui está o ponto central: o valor comercial desses eventos dependia quase inteiramente da presença de Messi em campo.

O contrato milionário e a cláusula dos 30 minutos

Para quem olha de fora, pode parecer apenas um jogo amistoso, mas os números mostram que o negócio era pesado. O acordo firmado entre o VID Music Group e a AFA estipulava que Messi deveria ser um participante ativo em cada partida, com a exigência rigorosa de jogar no mínimo 30 minutos por jogo. Sem ele, o valor de mercado do evento despencava.

Os valores envolvidos são impressionantes. Para as datas internacionais da FIFA em outubro, cada partida foi avaliada em aproximadamente 3 milhões de euros. Já para os jogos previstos para junho, o preço subiu para 4,25 milhões de euros por partida. No total, estamos falando de um investimento massivo baseado na imagem de um único jogador.

O problema estourou em 10 de outubro de 2025Venezuela, quando a Argentina enfrentou a Venezuela. Messi simplesmente não apareceu. A ausência do camisa 10 foi o gatilho para que os advogados do grupo de música entrassem com a ação judicial, alegando prejuízos financeiros diretos.

A tese da "cumplicidade" e o dilema jurídico

Agora, entra a parte complexa da lei americana. Curiosamente, Patino admitiu que Messi não assinou o contrato entre a AFA e o grupo promotor. Sob a ótica estrita do direito contratual, o jogador não teria responsabilidade direta, já que não era o signatário do documento. Mas aí vem a reviravolta.

O advogado está utilizando o princípio jurídico americano do "sabia ou deveria saber" (knew or should have known). A lógica é a seguinte: Messi recebe remuneração da AFA, treina com a equipe, participa da concentração e está plenamente integrado ao elenco. Portanto, seria impossível ele ignorar que sua presença era a condição central do contrato.

"Se ele não sabe, certamente deveria saber", afirmou Patino. Para a acusação, essa consciência cria uma espécie de cumplicidade nas ações da federação argentina, tornando-o corresponsável pelo prejuízo causado ao promotor do evento.

O contraste com o jogo contra Porto Rico

O que deixa a situação ainda mais estranha para a defesa é o que aconteceu logo depois. Em 13 de outubro de 2025, apenas três dias após a ausência na Venezuela, Messi não só jogou contra Porto Rico, como disputou os 90 minutos completos. A Argentina goleou por 6 a 0, provando que o jogador estava em plena forma física. Para o VID Music Group, isso prova que a ausência no jogo anterior não foi por motivo de saúde ou imprevisto inevitável, mas sim uma falha deliberada.

Impactos e precedentes nos Estados Unidos

Esta não é apenas mais uma disputa de contrato; é um marco legal. Segundo a equipe jurídica de Patino, este é o primeiro processo deste tipo movido contra a AFA em solo americano. A reclamação inclui acusações graves de fraude e quebra de contrato, tentando criar um precedente sobre como as federações esportivas e seus atletas estrela devem responder a compromissos comerciais em território estrangeiro.

Especialistas em direito esportivo observam que, se o tribunal aceitar a tese de que um atleta pode ser responsabilizado por um contrato que não assinou (baseado no conhecimento implícito), isso pode mudar a forma como as estrelas do esporte lidam com a imagem e as promessas de suas federações. Seria um recado claro: a fama traz dinheiro, mas também traz riscos jurídicos inesperados.

O que esperar dos próximos passos

O que esperar dos próximos passos

A batalha agora segue para a fase de descobertas e argumentações processuais em Miami. A defesa de Messi e da AFA provavelmente focará na separação legal entre o atleta e a entidade governamental da Argentina, argumentando que a gestão de escalações cabe ao técnico e à federação, não ao jogador individualmente.

A repercussão financeira pode ser alta. Se a fraude for comprovada, as indenizações podem ultrapassar a soma dos valores pagos pelos jogos de outubro e junho, considerando as perdas de patrocínio e venda de ingressos que a ausência de Messi causou no jogo contra a Venezuela.

Perguntas Frequentes

Por que Messi está sendo processado se ele não assinou o contrato?

Embora não tenha assinado o documento, a acusação utiliza o princípio "sabia ou deveria saber". Argumentam que, por receber pagamentos da AFA e participar de todas as atividades da seleção, Messi tinha ciência de que sua presença era obrigatória para a viabilidade financeira do evento.

Qual era a exigência do contrato para o jogador?

O contrato exigia que Lionel Messi participasse ativamente de cada partida amistosa, com um tempo mínimo de permanência em campo de 30 minutos por jogo, para garantir o valor comercial e a atratividade do evento para o público e patrocinadores.

Quais são os valores em jogo nesta ação?

Os contratos estavam avaliados em aproximadamente 3 milhões de euros por jogo nas datas de outubro e 4,25 milhões de euros por partida nos jogos de junho. O processo busca recuperar esses valores e indenizações por perdas resultantes da ausência de Messi.

O que aconteceu no jogo contra Porto Rico?

Em 13 de outubro de 2025, Messi jogou os 90 minutos contra Porto Rico, e a Argentina venceu por 6 a 0. Para a acusação, isso demonstra que ele estava apto a jogar, tornando sua ausência no jogo contra a Venezuela (em 10 de outubro) ainda mais injustificável.

Este processo é comum contra a AFA nos EUA?

Não, segundo o advogado Ralph Patino, este é o primeiro processo deste tipo (envolvendo fraude e quebra de contrato por ausência de atleta) movido contra a Federação Argentina de Futebol dentro do sistema judiciário dos Estados Unidos.

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